[Maria Elena] Eu sou Maria Elena Guimaraes, eu nasci aqui mesmo, a família da gente mora em um povoado próximo aqui, chamado São Rafael, aí a gente há muito tempo que mora aqui. Nos somos nativos daqui de Morro do Chapéu mesmo, sempre a gente morou aqui nessa fazenda que chama Roda da Água, que hoje ela está próxima à cidade, mas quando meu pai veio por aqui existiam os engenhos de cana, que hoje em dia a gente ainda tem o caldo de cana que veio da origem do engenho e a gente continua.

[Silena] Eu nasci na beira da vereda em lugar que chamava os Brejos, eu nasci lá, depois minha mãe passou para o Rafael, quando eu fiquei moça eu vim morar aqui no Morro, casei no Morro e morei aqui no Morro, morei no Candeal, morei nos Brejos e quando passei por aqui eu deixei de andar a caminhada, meus filhos nasceram aqui e estou vivendo aqui.

O tacho de cobre é da minha bisavó, depois passou para minha mãe, da minha mãe passou para mim e agora está na minha mão...

[Maria Elena] E depois vai passar para mim...

[Silena] Não sei quantos anos, ele tem não, ele é mais velho do que eu, foi quando me casei. Eu lembro do meu pai que fazia doce com ele, batia rapadura, tudo nele.

[Maria Elena] A gente vem de uma família que eram donos de engenhos, na época, meus bisavô, meu avô.

[Silena] Tinha seis tachos, botava a garapa em um grande e ia passando para os outros e ia limpando a garapa a ficar a rapadura limpa, limpinha.

Eu puxei dia de boi, carne de boi, eu tocava o boi no engenho, rodando assim...

[Maria Elena] Para moer a cana... eu tenho pouca lembrança, porque não cheguei nessa época que tinha os engenhos. Meus tios, já que tinham um engenho aqui próximo, eles já utilizavam, eu vi a eles fazendo a rapadura, mas com o tempo acabou, então eu lembro só dos meus tios...

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Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz