Eu nasci no Pati, eu gostava de lá, meu amor maior era pai e mãe, porque eles me criaram lá com maior sofrimento. Eu tive sarampo, foi o maior sofrimento comigo, então eu mandei tirar essa “fotinha”, falei: “Vamos tirar a foto dos meus pais”...

Aqui ele tá vivo, porque morto eu não deixei tirar não, pro mode de não ficar muito pesando pra mim, que aqui vivos, eu olho tô sabendo que tá vivo, me criou, eu dei pra sentir depois que pai mais mãe morreu até problema de labirintite, tem hora que eu recordo que é impossível de eu ter pai e mãe e não ter recordação deles, quando é na fogueira, semana santa que eu fico naquela lembrança eles eram umas pessoas tão leal pra mim e até hoje ainda é leal, porque tem dia assim que eu deito na cama de noite e a casa clareia tudo, e então as pessoas me diz : É eles que tão olhando vocês...

Por que foi aquela situação que meu pai morreu foi difícil! De um e do outro! Minha mãe teve disenteria e eles estavam dizendo que era a dengue, mas eu não posso levantar falsos mosquitos, porque no Pati ela teve esse problema e teve jeito e aqui a gente levou ela no hospital, mas foi difícil, ver minha mãe no caixão e no mesmo “aral” que um morreu, não inteirou nem um ano, no mesmo aral que um morreu, morreu o outro também.

Hoje graças a Deus, eu acho que meus pais tão num lugar legal, junto com os parentes! Isso aqui pra mim tá mais que um dinheiro, se eles deixassem um dinheiro no banco, eu acho que não ia me importar igual essa “fotozinha” aqui, isso aqui pra mim é uma recordação que nunca acaba... nunca acaba! Isso aqui pra mim é mesmo que ser um documento que eu tenho.

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Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz