Sobre a concha, eu acredito que aquele encontro ali foi um encontro de vidas passadas, porque foi muito incrível, eu fui fazer uma oficina com esse pessoal de lá dos Canteiros Coletivos lá na Gamboa e aí fui passeando, na hora que eu cheguei na praia, aquela praia toda de pedras grandes que já é uma coisa bem diferente ali de Salvador, que as praias são mais de areia fininha... aí fiquei encantada com a praia a saí caminhado assim e de repente foi o primeiro objeto que peguei e eu pensava que era uma boca de tubarão, fiquei lá especulando o que era, até descobrir que era parte de uma concha, aí quando eu olhei novamente para as pedras eu encontrei uma paletinha com o lugar de colocar o dedinho e tudo, aí eu pensei: "Esse instrumento daqui é antigo" e comecei a movimentar e vi que rolava um som muito, muito legal.

Aí eu falei: agora eu preciso encontrar o pessoal do som pra eu tentar acompanhar e ver da colé de mesmo e comecei a movimentar ele e acima a experimentar ele na mata com o pessoal que faz aula de percussão na sexta feira, que é um lugar mais pertinho pra mim e eu vou com Zig, aí eu desço lá pra matinha da Escola de Dança e comecei a ver que ele acompanhava o som de muitos dos grilos, ele acompanha uns sons muito incríveis, ele é muito doido aquele instrumento. Aí eu falei assim: agora eu quero aprender a tocar isso aqui, mas isso aqui não tem quem ensine, não tem nada, é uma coisa que é experimental eu vou ter que ir tentando pra ver, aprendendo a ouvir.

É um reco-reco mesmo, aí eu coloquei o nome de reconcha porque ele é mesmo uma coisa que dá um retorno legal mesmo do som. Ele é novo, foi presente agora de ano novo, foi nessa época início de 2015.

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Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz