Meu nome é Edvaldo Jorge dos Santos, eu nasci ali nos Gatos, eu saí dali com a idade de 5 anos e vim aqui pros Campos, daqui meu pai me levou lá pro Morrão, que é o caminho para Águas Claras, Cristais, lá eu acabei de criar, vim de lá com idade de 20 anos.

Tornei arrumar terreno aqui no Capão, hoje tô com idade de 79 anos, minha arte era lavrador da terra e o lavrador sempre trabalha muito, sofre muito, porque antigamente tudo era difícil, sofria muito, não tinha carro, não tinha estradas, era tirado no lombo dos animais pra levar pra Lençóis, Palmeiras... Pra poder vender, pra comprar as outras coisas que nós não lavrava.

E nisso chegou a época dos 60 anos e me pegou uma doença na perna, logo teve uma perna que apodreceu, uma perna que era pra ser cortada, mas nisso Deus abençoou que não precisou de cortar, eu confiei na misericórdia de Deus eu dizia: “Ó senhor Jesus, vai curar minha perna” e curou minha perna...

E nisso eu pedi Deus um dom: “Ó Deus, minha mente tá boa, meus braços tá bom e eu preciso de um trocadinho a mais” E aí Deus me deu um dom... peguei um pano fiz aqui esse primeiro aqui [passarinho], mais aí eu olhei assim: “Mas tá tão feio, ainda não é assim!” ... Daí eu peguei ele ajeitei e ficou mais bonito.

Aí chegou um pessoal e falou assim: “Quem faz é o senhor? E não vende, não? Dá o preço que gente compra! Daí eu dei o preço de um beija-flor: “É um real!”, eles disseram: “Não, Seu Diva, é seu trabalho, quantos o senhor faz no dia?”, eu falei: “Eu faço três” e eles disseram “E como pode vender por um real?”. Daí eles mesmo foram aumentando e aí pagaram 2 reais. Aí outro disse: “Tá muito barato, vende por 3”, eu falei: “Cês tão me ajudando, que bom!”

Daí foi indo... Daí quando chegou hoje 5$, daí pararam, num falaram mais que eu pra eu amentar não! Eu falo assim: “O beijar-flor é quem mais dá leite!” ...Porque é quem mais o povo compra! Tenho galo que é 30 reais, esse aqui [o calango] é 10$.

Deus me deu esse dom, eu tô muito feliz porque a idade que eu tenho não permite mais de eu trabalhar... Está aqui juntamente com meus amigos pra mim é muito prazer porque eu tô contente, vivendo...

O primeiro passarinho tem 9 anos que eu fiz... o significado do passarin, porque antigamente o beija-flor não dava prejuízo, o jandainha, tinha o pássaro preto, tinha um pequeninin que o nome dele é papa-capim... Quando eu plantava arroz eles perseguiam muito e nós pegava eles, matava, assava e comia... É o que eu lembro daí eles hoje, eles têm autoridade, ninguém pode judiar! Nesse tempo porque a gente não conhecia o poder de Deus, nós fazia por ignorância... Então nisso hoje nós sabemos que os bichinhos também precisam ter vida! Antes a gente cuidar deles que a gente estragar eles.

O primeiro uso pra guardar a agulha, ao invés de fazer uma almofada pra agulhas eu deixei ele por lembrança, ele não pode perder porque se ele perde, eu perco minhas agulhas!

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Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz