Já tem uns vinte anos que eu moro aqui, eu nasci na Lagoa do Ventura, fui criada ali. Essas malas aqui de couro eram da minha avó, se chamava Pedolina Venta Grassi, da família do meu pai. Tinha muita coisa, mas hoje em dia não tem mais nada, né? Essa mala tem mais de cem anos... Tem... Quando a dona morreu tinha 80, eu tinha 25, eu tenho 70... Essa mala tem mais de cem anos, tem. Eu fico com lembranças da minha avó, de tudo na vida, né?

Essa mala estava ali, depois botei lá, deixei ela ali, na casa cai muita poeira, aí ela ficou assim, feia, mas essa daqui, eu deixei ela aqui, eu disse que ia mandar limpar ela direito, mas os meninos que for limpar vai estragar, vai tirar os 'butão' e eles não bota outros 'butão'. Eu gosto muito dessa mala, minha fia já diz: “Ah, pega essa mala, deixa aí no mato!” Que é isso? Eu não vou jogar no mato, não, que é uma lembrança, cumé? “Ah, se fosse eu, esses trem veio já tinha jogado tudo fora”. Eu digo não, eu também já tô velha, vocês também vão me jogar no lixo, né? Eu digo “não, deixa ali”.

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