Me chamo Nelsonita Almeida de Oliveira, moro aqui na cidade de Morro do Chapéu, agora tenho 73 anos, nasci em um município daqui, Cafarnaum, era um município daqui do Morro, mas que eu moro aqui mesmo tem mais de 50 anos, tenho 73, vim pra aqui com 18, né? São muitos anos.

Eu estava na porta, sentada assim, ao redor de umas 7 horas da noite, lugar assim, o pessoal fica sempre sentado assim, nas portas, conversando e tudo, então, quando subiu uma luz grande, daquele lado ali, ali do Morrão, aquela tocha de fogo bem grande, né? E a gente ficou olhando, olhando dizendo: “É avião, avião, né?” E ele foi vindo de lá para cá e aí a gente viu que não era um avião, que era muito vermelho, aquela tocha enorme, não tinha zuada, não tinha nada... Então, a gente ficou curiosa, olhando, olhando, até que ele passou aqui, pertinho aí, aqui atrás, a gente saiu para olhar e ele passou bem lento mesmo, só a tocha de fogo. Ainda tinha um cavalo pastando e ele baixou um pouco assim em cima do cavalo e o cavalo saiu doido correndo e aí ele subiu um pouco. Mas não era alto assim, não, de altura, eu acho que eram uns 15 metros, assim, 12 a 15 metros até 20, mais ou menos, na altura. Mas a gente só via mesmo a tocha de fogo, não via se tinha pessoas, o quê que era, a gente só via mesmo, a tocha. Ali ele saiu lento, a gente olhou até sumir na serra de novo, aí o pessoal disse... Seu Alonso, que soube e veio aqui e ele disse: “Ah, era um disco voador”, “E era?”, “Sim, era”... Não se sabe, eu sei que era uma tocha de fogo muito grande, mas eu não vi movimento nenhum, a não ser só o fogo, não vi movimento nenhum.

Isso foi no 94, várias pessoas viram, as pessoas que estavam sentadas, todo mundo viu, não só eu, todo mundo. Eu tinha vontade assim, que baixasse... Ô, pra gente ver, né? Apreciar o que era, que tinha ali ou que não tinha, o que é que era, mas não, infelizmente não, não baixou, a gente não viu nada. Tinha vontade que voltasse novamente pra... Que a gente já está mais ou menos por dentro do que era, pra gente tirar foto e tudo, pra ver se vivo aparece, né? Mas não apareceu mais, tem aparecido em outros lugares, mas aqui mesmo não passou mais, não.

Guardo [o jornal] pra ficar relembrando, né? Aí mostrar aos netos, aos bisnetos e pra isso eu vou fazer um quadro, ele me lembrou bem, vou mandar ao rapaz tirar um retrato e colocar na parede, como eu tirei aí da cidade de, da cidade não, da capital, né? Vou fazer a mesma coisa.

Interessante que ali tinha que ter seres vivos, né? Porque aquela bola de fogo sozinha não ia movimentar assim, sem ter alguém que tivesse dominando-a, tem que ter. Ele andava devagarzinho, ficava assim, na hora meio que ela baixou um pouco em cima do animal, ela rodou um pouco assim, foi baixando e o cavalo saiu, doido correndo, ela subiu um pouco, mas não era alto, era baixo, agora só o que eu vi foi a tocha do fogo, não vi mais nada. Ninguém viu, só o fogo mesmo.

Então, outro dia se aparecesse aí, a gente ia agora tirar um retrato para ver se via o que era, o aparelho como era, né?

A luz era vermelha, a tocha de fogo vermelha, a gente estava ali na porta, não só foi eu que vi, foi várias pessoas, passou a tocha, eu estava sentada ali, eu passei e a gente olhou até que sumiu, foi aqui mesmo, veio daquela serra de lá. Isso, aquilo, era uma aparelho, só que a gente não viu assim, só vi fogo, a tocha de fogo, mas que era um aparelho, aí tinha que ser, porque ele sozinho não fazia aquele movimento, estava sendo guiado. Ali tinha pessoas: “É uma estrela, vai cair”, e eu disse assim: “Não, estrela não faz esse movimento assim”.

Porque eles vêm mais? Quem sabe? Alguma coisa tem aqui na terra que eles querem descobrir, eu acho que é isso, né? Nessas serras, nesses morros aí, tem que ser isso, que outro dia mesmo o rapaz estava me dizendo, que mora aqui em uma chácara, aqui pertinho, disse que quando a mulher dele, a esposa dele saiu no quintal, foi pousando assim aquela tocha enorme na serra e parou e ele lá ficou olhando, olhando, até que desapareceu aquilo e eles não sabem o que era e eu digo que era a mesma coisa, era esse... Se for como disse o disco, era um disco voador, diz que era aquela tochona vermelha que parou bem em cima da serra, que a casa dela fica pertinho, né? Da serra. E ele gosta daqui... Gostava daqui que nunca mais apareceu, não. Parece que ele viu que o povo está curioso, em ver o que é, em saber o que é.

< Compartilha essa lembrança >


Imagens


Gabinete imagem
Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz