Meu nome é Edson Vasconcelos de Oliveira, hoje atual diretor do Correio do Sertão, jornal esse fundado em 15 de julho de 1917, pelo meu bisavô Honório de Souza Pereira. Essa máquina que vai ser exposta, como vocês estão vendo, é datada de 15 de julho de 1917, essa máquina, ela veio junto com a máquina impressora a qual imprimiu o jornal, veio da Alemanha até Salvador em navio, de Salvador até Feira de Santana em trem de ferro e de Feira de Santana até Morro do Chapéu, distante mais o menos uns 100 quilômetros, veio em carro de boi e lombo de animal, uma viagem que demorou quase um mês para se chegar aqui.

E essa máquina para mim é importante, tanto ela como a máquina impressora que imprimiu o jornal, uma coisa que eu conheci desde criança, desde menino, nasci em Morro do Chapéu, né? Começou com meu bisavô, depois meu tio trabalhando no jornal, e em 1980 meu pai assumiu a direção desse jornal, e com ele eu vim trabalhar, então eu me apeguei muito à essas máquinas, coisa que não se existe mais, é uma relíquia, tanto é que ela está exposta aqui no Correio do Sertão como parte de museu.

Essa máquina, essa pequenininha, ela faz cartão de visita e até hoje, se for pra trabalhar ainda se trabalha com ela.

Essa máquina ela foi importante não só na vida da minha família, em termos de ganhar sustento para manter as famílias desde meu bisavô, como também aquela coisa gostosa de fazer o trabalho, que a gente montava letrinha por letrinha pra fazer todo o trabalho, então a gente se apegou muito a essa máquina, como se fosse filha da gente.

Tem 35 anos que eu estou aqui no jornal, então é uma afetividade muito grande, é uma maquina muito importante e muito bem feita, de um material que nunca se quebrou nada, então é uma coisa que deixou história também, prestou muito serviço não só a Morro do Chapéu como toda nossa região, eu tenho certeza disso.

Eu sempre queria usar, mas ele não deixava, né? Porque eu era menino, lógico, não sabia manuseá-la ainda, mas assim que meu pai assumiu, aí sim, ali não teve jeito, aí eu me achei à vontade e aí comecei a trabalhar com ela, e estou aí até hoje.

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