Eu nasci aqui mesmo na cidade de Palmeiras já faz tempo, há 66 anos e quase sempre eu morei em Palmeiras mesmo, teve umas passagens por Salvador e o destino jogo-me para cá, sem que eu quisesse voltar e voltei e essa dedicação à música foi em Palmeiras mesmo, não foi possível eu fazer um curso superior de música ou quem sabe de história, apenas como professor de história do Colégio que ensinei até 2005, eu participei de uma seleção de professores que davam aulas de história, e sai bem , tive a melhor colocação e ai ensinei história muito tempo.

E a música foi aquela coisa que vem desde criança porque todo menino puxa um carrinho ou corre atrás de uma bola, eu também tive uma bola, mas eu jogava tão bem que só jogava porque era o dono da bola. Foi melhor optar por um instrumento musical que aí eu me senti mais a vontade, aí comecei com violão, depois aderi ao cavaquinho, ao bandolim.

Os primeiros ensinamentos de musica que me foram passados foram pelo Seu Filhinho, Manoel Vieira, que era regente da Filarmônica aqui em Palmeiras, aí eu comecei a estudar música. Hoje está a viúva dele aí, Dona Rosilda, e Seu Filhinho veio a falecer em outubro de 2013.

Na decadência dele eu já estava, não foi por ousadia e sim por necessidade, eu já lhe ajudava na Filarmônica Santa Cecilia e fiquei tomando conta dela e com dificuldade eu estou fazendo esse trabalho até hoje. A gente sempre que é possível toca nas ruas da cidade ou até em outras cidades, inclusive até de poder contar com os nossos colegas que chegam de outros lugares para tocar com a gente, para poder ter condição de juntar a turma toda.

Essas fotos aqui mostram um pouco do que são ou do que foram as nossas serestas. Aí eu tenho fotos de mais ou menos os anos 90, onde ali aparece o músico Cicero Leão, conhecido por Ciçu, grande saxofonista que eu conheci aqui na minha região. Ele, admiravelmente, ainda está tocando, depois dos 80 anos, ele ainda está tocando. Muito recentemente eu toquei com ele ali na Pousada Casarão, então tivemos a oportunidade de fazer uma seresta.

Naquelas fotos tem também além do Ciçu ao saxofone, tem o Cazuza, que é um dos músicos de Palmeiras que era musico quando eu era menino, que toca saxofone e trompete também.

A gentileza foi de quem está no microfone ali cantando, nosso famoso amigo querido Diu Jatobá, foi ele que fez essas fotos para presenciar esses músicos simples daqui de Palmeiras. E ali tem Henrique! que é uma continuação de Seu Filhinho, ele está no teclado, é mais jovem do que eu.

Ali é o retrato de toda essa musicalidade de Palmeiras que vem desde os festejos do Bom Jesus, que é em janeiro, do carnaval que é de fevereiro, às vezes em março, dos reisados dos fins de anos. Todo isso não ficou de fora também aquela coisa dançante que é a seresta, aquela coisa de curtir aquelas musicas bem românticas, bem interessantes mesmo, bem apaixonadas vamos dizer assim.

É tudo isso aí que vocês vão levar ou quem sabe outras pessoas vão mostrar, eu vou pegar também algumas fotos da Filarmônica em outras para mostrar a vocês e aí vocês vão levar esse material.

Essas fotos aqui da parede eles tem mais o menos 20 anos. Elas lembram aquela coisa romântica, o Romantismo de Palmeiras, que é a seresta que ainda diante dessa coisa moderna que veio aí, do axé, do funk, do reggae e tanta coisa, a gente ainda tem a ousadia de vez em quando fazer uma seresta e pessoas de todas as idades dançam a seresta também! O menino pega a menina lá da idade de vocês aí e dançam a seresta e pessoas jovens que gostam de cantar, cantam também! Não é uma coisa que é só do pessoal da velha guarda, não, tem os jovens que gostam também.

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Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz