Nasci aqui em Andaraí, uns me chamam de Miranda, outros de Candançan, outros Antonio, mas todo mundo sabe que eu sou da família Candançan aqui, um dos fundadores dessa cidade, meu tetravô, chama-se Emílio Candançan.

Então, aqui tem dois cordéis, né? Um chama-se “O Menino e as Nuvens” que é ambientado aqui na região e o outro é “O anel de Severino”... “O Menino e as Nuvens” é a história de um garoto que preocupado com a região, principalmente com a seca que aqui é comum, os moradores daqui quando começa o período de seca assim um tanto grande, eles chamam de “sequidão” e esse personagem da história chama-se Zequinha e ele resolveu fazer chover, mas como fazer chover, né? Ele olhava assim pras nuvens, aqui na região é muito comum a gente olhar nas nuvens, mesmo dia quente, em períodos de secas muitos longas, as nuvens carregadas escuras, aí ele falou: “Se as nuvens tão carregadas, escuras, devem ter água, então é só fazer chover, né? Aí a história desenrola...

Essa história é... Primeiro que eu sou nativo aqui da região e tenho uma grande preocupação, talvez a preocupação de Zequinha de fazer chover seja um pouco a preocupação minha da região, essa região que é muito rica, muito rica, muito rica... Em tudo que vocês podem pensar!

Eu gostaria que os trabalhos fossem bem recebidos, mas infelizmente não é a questão de Andaraí, mas é nosso país, ou pode ser até o mundo, se lê muito pouco, muito pouco, principalmente quando se trata de cordel, que acha que é um livrinho pequeno... mas é especialmente para as pessoas que não tem o hábito de ler, tem uma linguagem muito simples...

“O Anel de Severino” nasceu um pouco antes, né? De fevereiro de 2012... Ele começa com a metáfora, né? Falando de um vaqueiro de cabras “Sendo vaqueiro de cabra lá no alto do sertão, Severino trabalhava na Fazenda São João/ A vida do pastoreio falando sem arrodeio não lhe trouxeram ascensão/ Um dia pastoreando uma cabra desgarrou/ Depois de muita procura foi que ele a encontrou/ Lá dentro de uma gruta, travou com ela uma luta e ao rebanho juntou/ Antes de sair da gruta uma coisa lhe assustou/ Era um cadáver de um homem que bem de perto olhou/ Estando todo vestido/ Porém bastante fedido na mão um anel que brilhou/ Tirou o anel do cadáver e no seu dedo colocou/ E mais de que depressa o corpo transformou/ Sentiu uma coisa estranha, estremeceu as entranhas/ E seu corpo transformou...” E aí desenrola...

Eu escrevo contos, crônicas, poesias, mas eu tenho me enveredado mais pelo cordel, pois é uma forma de sintetizar a história e fazer com que as pessoas leiam. Eu sei que o cordel não vai fazer uma mudança no país, mas ao menos você planta uma semente.

Meus cordéis são pequenas ações, eu espero contribuir pra melhorar.

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Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz