Esses instrumentos, eu aprendi mais que nada por vocação. Eu me lembro que uma vez eu tocava com um pessoal da Argentina que tocava, fazia musica andina em Lençóis, eramos três argentinos, um tocava charango, outro violão e outro flautas, quenas, aí o rapaz do charango quebrou o charango e diz: “Ahh, leva para teu filho brincar”.

Nessa época a gente morava lá no Pati e meu filho teria uns 5 anos, aí quando eu ia chegando lá eu pensei: “Pô, eu vou dar um negócio quebrado, vou dar para eles um negócio quebrado, meu filho não vai gostar”. Efetivamente quando cheguei o primeiro que ele falou: “Mas está quebrado” e eu falei: “Mas vou consertar”. Aí teve que estudar a forma de consertar o charango... Isso aqui estava todo destruído... E quando vi como era feito, como estava construído, me dei conta que não era tão difícil para mim, eu falei: “Poxa, isso aqui eu faço também” e comecei a fazer charangos e vender charangos...

Não tenho nenhum dos que fiz, eu tenho que ter feito uns 10, 12 charangos e não tenho nenhum, todo está viajando por aí: dei um para meu sobrinho em Alemanha, troquei com uns colombianos, vendi um para Jimmy Page.

Esse aqui é o primeiro, o primeiro trabalho que eu fiz em um instrumento.

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Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz