A bicicleta está comigo já desde 87, mas a história dela mesmo é que... É de uma frustração de criança, eu desde pequenininha meus irmãos todos tinham bicicleta, né?, porque eles ajudavam meu pai no comercio, aí era fácil de juntar a graninha deles para comprar bicicleta, né?. Só que eu ajudava a minha mãe, eu e minha irmã, a gente ficava dentro de casa, né? e aí eu não tinha como estar ganhando essa graninha para ter bicicleta, eu vivia todo Natal, eu chegava: “Papa Noel, eu quero minha Caloi”, eu acreditava até, né?, aí já logo comecei a perder a credibilidade também, mas continuava escrevendo a cartinha e contando que meu pai desse finalmente a bicicleta, né?, nem é legal estar falando isso que o Papa Noel não existe tão cedo, né? mas o pior é que ele existe, depois vocês vão ver que ele existe mesmo.

Aí fiquei a vida inteira, né? e teve um momento até que minha mãe era costureira e me mandou eu entregar uma costura que ela tinha feito, aí tava indo para a casa da senhora, de aí eu ia descendo a ladeira e a sacola começo a cair assim, né? de repente eu fui para pegar a sacola e bati no fundo de um carro com a bicicleta do meu irmão, a bicicleta entronchou toda, né? aí eu fui dormir toda agitada e minha mãe disse que eu dormi mal pra caramba nesse dia. Meu pai chegou mais tarde falando: “Sabia que Silvia tinha batido num fundo de um carro?” e minha mãe: “Não, não estou sabendo nada de isso, não”. “É, disse que ela tacou a bicicleta encima do carro do cara, machucou o carro, o carro estava danado, não sei o que...” aí ele prontamente “Aí eu estava até pensando em dar uma bicicleta para ela” Olha que historinha!.

Aí passou, né? já tinha desistido desse negocio, passou muito tempo, já estava com 19 anos, quase 20 anos, aí jogue numa rifa, não, não, num bingo, foi num bingo, 50 centavos, comprei a cartela de bingo... no final assim, todos os números que eu falava aí saia, saia e saia no final eu ganhei a bicicleta, só que não era essa né?, era uma outra Monark, sabe aquela masculina de aquela base circular?

De aí, eu falei não, mas a que eu queria era de cestinha, aquela feminina, com isso aqui baixinho, ai mandei comprar minha bicicleta e fiquei toda feliz! Aí eu nomeei ela de “Amina”, que é a minha menina, daí nasceu meu nome artístico que eu uso esse nome Amina para todos os fins, né?

Daí para frente ela está em todas, vai para Rio para curtir as trilhas aí todas, criei minha meninada toda aqui, por isso que ela é toda aranhada, aí criei meninada toda na cadeirinha, levando para Escola, e isso é legal porque eu me coloco na posição que eu estou ecologicamente correta, meu transporte é bicicleta e o carrinho de mão que eu uso para fazer a feira ou andando mesmo.
Ela não é uma mera bicicleta, ela é uma bicicleta de alma... inclusive tem uma música de Milton Nascimento que é Anima, o contrario de Amina, né? Anima significa alma.

< Compartilha essa lembrança >


Imagens


Gabinete imagem
Colectivo Infinitos Monos 2015 by Javier Cruz